3 técnicas para definir e priorizar user stories

Criar uma user story parece uma tarefa simples, usar apenas o modelo “Eu como <papel>, posso <objetivo> para que <benefício>” parece ser suficiente, mas isso só acontece quando o que se quer está bem definido na cabeça do cliente, e sabemos bem que isso quase nunca acontece. Neste artigo vou demonstrar 3 técnicas conceituadas que poderá lhe ajudar a definir e priorizar suas user stories.

Neste artigo usarei o nome cliente, pois a user story é feita para um cliente específico, mas o cliente pode ser sua própria empresa, a empresa do seu cliente, pode ser um projeto pessoal seu, ou qualquer entidade que irá receber o resultado do seu desenvolvimento.

Análise SWOT

Diagrama SWOTEsta metodologia foi muito usada para análise do cenário de uma empresa para seu planejamento estratégico, mas devido sua simplicidade acabou sendo adotado para qualquer tipo de planejamento, independente do tamanho do projeto ou negócio.

O primeiro passo é identificar e delimitar o ambiente interno e externo do cliente, depois é feito um brainstorm com todos os pontos da Matriz SWOT: Forças (Strengths), Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats). O brainstorm pode ser feito com a matriz em um quadro e os participantes vão colocando post-it com cada ponto, depois cada ponto é discutido para deixar no matriz só o que for consentido por todos.

Depois da análise SWOT feita, se inicia um novo brainstorm para definir as ações baseado no resultado da análise. Normalmente a prioridade é clara quando se tem essa análise, mas se ainda não estiver totalmente clara, pode ser feito a análise Kano e MVP em seguida para uma melhor conclusão.

Análise Kano

Esta análise é muito poderosa para a priorização, pois ajuda a identificar o nível de importância de cada funcionalidade para o seu cliente.

A divisão desta análise possuem diferentes nomes na literatura, como categoria, requisitos, atributos, assim como alguns dividem em 3 e outros em 5 partes, mas vou falar dos 3 principais e chamá-los de funcionalidades, já que estamos falando de desenvolvimento:

  • Funcionalidades Obrigatórias – São as funcionalidades que são essenciais para seu cliente, que sem essas funcionalidades não faz sentido o seu cliente usar seu produto ou serviço, ou o deixaria insatisfeito. Normalmente o cliente já presume que essas funcionalidades estão já estão embutidas, mesmo que você não as mencionem.
  • Funcionalidades Lineares – Nesta a satisfação do cliente é proporcional à quantidade de funcionalidades disponíveis, ou seja, quanto mais funcionalidades deste tipo maior é a satisfação do cliente.
  • Funcionalidades Atrativas – São aquelas que o produto ou serviço têm mais influência na satisfação do cliente e quase nunca são explicitamente esperados pelo cliente. Apesar dessas funcionalidades proporcionarem uma maior satisfação, se elas não estiverem presentes não representam uma insatisfação do cliente, como as funcionalidades obrigatórias, mas representam um diferencial para fidelização do cliente.

Análise KANO

Uma vez classificado, a priorização se torna óbvia neste modelo: primeiro as funcionalidades obrigatórias, depois as lineares e por último as atrativas. Só tome cuidado para não levar essa regra muito ao pé da letra, pois é importante seu produto ou serviço ter os três tipos de funcionalidades para sobreviver no mercado, utilize mais essa análise apenas como um norte para tomadas de decisão.

MVP

Eu conheci o conceito de produto mínimo viável (Minimum Viable Product) no livro Lean Startup do Eric Ries, na apresentação do livro o Ricardo Sazima explica:

Ries prioriza a velocidade em percorrer o ciclo Construir-Medir-Aprender; o teste das suposições fundamentais de valor e crescimento utilizando produtos viáveis mínimos (MVPs); a otimização do produto por meio de testes, de contabilidade para a inovação e de métricas adequadas; e a decisão de perseverar se estivermos no caminho certo, ou de pivotar, caso a estratégia seja “furada”.

Ries afirma que temos pouco tempo para perder com funcionalidades que ninguém vai querer ou usar, então ele aconselha a fazer o mínimo possível do seu produto ou serviço para testar a aceitação pelo cliente, depois de testado é medido e definido uma nova pequena funcionalidade para ser testada e medida, assim por diante.

Apesar do conceito ser simples, quantas vezes você já perdeu tempo desenvolvendo algo que não foi utilizado ou não agregou valor ao cliente? Aliais, você mediu o valor que sua funcionalidade teve para seu cliente?

Ao criar suas user stories pense sempre na menor porção de sua funcionalidade, algo que dê para ser feito rápido e entregue ao cliente para que ele analise e te retorne com sua opinião, para depois continuar as próximas partes, sempre medindo a cada entrega. A priorização segue a ordem do que vai gerar mais valor para seu cliente.

Conclusão

Essas três técnicas são muito poderosas se usadas corretamente, podem ser usadas juntas ou separadas. O mais importante é ter em mente que tempo usado para planejamento é tempo investido, mas tempo usado para desenvolver algo sem valor é tempo desperdiçado. Mesmo que você tenha tempo e dinheiro para jogar fora, seu concorrente vai estar aproveitando este tempo para passar na sua frente.

Deixe seu comentário e me diga como você define e prioriza suas user stories.

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